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O que o empreendedor pode aprender com o case dos apps para taxi

Em outubro de 2013, diante de mais um dia de caos no trânsito em São Paulo, precisei chamar um taxi em uma avenida no período da noite. Os aplicativos para celular que chamavam taxi estavam começando a aparecer, mas ainda como um negócio inovador, do futuro. Esta era a minha visão, já que meu contato com esta tecnologia até então era através de notícias de empreendedorismo. Tive dificuldade para conseguir um taxi, e perguntei para um profissional que cuidava de um estacionamento se ele tinha alguma sugestão para me ajudar. A resposta foi “O sr. não tem aplicativo para celular?” Apesar de eu ser de Joinville – SC, costumava ir ao menos duas vezes por mês a São Paulo, e mesmo assim por alguns instantes não consegui acompanhar a tendência.

Pouco mais de 6 meses depois, os apps para taxi passaram a ser uma rotina tão comum quanto as cooperativas de taxi eram no passado. No início deste ano, algumas cooperativas começaram a travar uma luta insana contra a inovação. Encarando como uma concorrência desleal, fizeram movimentos para boicotar os apps de taxi. Em algumas cidades, como Curitiba, algumas centrais de taxi conseguiram o apoio de órgãos reguladores de transito para identificar brechas na lei que pudessem retardar a inovação. Sim, apenas retardar. Alguém que não esteja pensando apenas no seu mundo, tem dúvida que uma inovação que beneficia a cadeia fornecedor / consumidor e que já vingou será retrocedida?

Se não pode contra eles, una-se, ou copie. Esta foi a lição de algumas cooperativas que correram para contratar o desenvolvimento de aplicativo mobile próprio. Esta iniciativa pode funcionar a curto prazo, mas as cooperativas precisarão ir além para sustentar este modelo: oferecer algum benefício que os grandes desenvolvedores de apps para celular não conseguirão, como conhecimento local, relacionamento e até mesmo financeiro, revertendo os benefícios do modelo para o taxista. Isto chama-se concorrência (leal), e o mundo digital dos smartphones e internet está crescendo exponencialmente graças aos resultados que já mostrou que pode gerar.

Citando mais um exemplo de mudança tecnológica, em 2006 quando a nota fiscal eletrônica começou a se tornar realidade, algumas empresas que vendiam formulário em papel entenderam a inovação e passaram a fornecer software para emissão de nota fiscal eletrônica. Eles tinham os clientes em suas mãos, bastava oferecer o novo produto. Isto requer uma mudança no conhecimento operacional, mas que é mais rápida e segura do que mudar o mercado consumidor. Algumas empresas se tornaram desenvolvedoras de software, outras apenas revendas. Alguns obtiveram aumento de margem e um ganho adicional com projetos de implementação durante os quatro anos seguintes com a entrada gradativa das empresas na obrigatoriedade da nota nf-e.

O empreendedor deve ficar atento as tendências da tecnologia, pensando em como se beneficiar, e não em como lutar contra. Algumas são apenas promessas que não se concretizarão, outras são rápidas e devastadoras, e podem destruir um negócio em meses. Se for bem interpretada e a ação for prematura, quase sempre há uma forma de tirar vantagem. Esta é a hora de apostar na criação de apps, marketing digital e tudo que está relacionando a transportar conteúdo para a internet. Siga o público.

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